segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Mar Morto é uma piada

Definitivamente o Mar Morto é uma piada! Não encontrei uma forma de descrever o que acontece lá, você simplesmente bóia. Mas antes de contar sobre nosso passeio vamos a alguns fatos interessantes.

Para quem não sabe o Mar Morto é a maior depressão do mundo. Em 2004 seu nível era de 417 metros abaixo do nível do mar. Era porque ele esta diminuindo por causa da continua exploração do rio Jordão, seu único afluente e também única fonte de água potável da região. A tendência e que o nível continue diminuindo nos próximos anos mas que, segundo alguns estudos, se estabilize logo. A quantidade de sal na água é 10 vezes maior que a dos demais oceanos o que torna impossível que qualquer forma de vida sobreviva nela mas o que nos possibilita boiar. O mar também e muito conhecido pela lama que dizem ser muito boa para a pele.

Como no mar vermelho, a maioria das praias são privadas e as publicas não muito boas. A melhor opção foi Amman Beach, um lugar bem arrumado com piscinas e também restaurantes e não muito caro. Ao chegar fomos direto pra atração principal. A verdade é que, agora no verão, é melhor aproveitar o mar durante a manhã porque a água fica muito quente a medida que o dia vai passando.

A primeira função do água no Mar Morto é te ajudar a encontrar machucados pelo corpo. Qualquer machucado que seja você vai saber onde ele está na hora! E ai vai uma dica, mulheres não se depilem e homens não façam a barba no dia, a sensação não vai ser nada legal. A partir dai vem a dúvida, como fazer para boiar? Mas se você continuar andando logo irá perceber que seus pés não estão mais no chão. Ai qualquer descuido e suas pernas sobem e você está boiando! É uma piada!

Todo cuidado é pouco, qualquer gota de água no olho ou boca não será nada agradável. Alhamdulillah nada aconteceu comigo. Mas foi aí que veio a melhor parte, salvar uma cara quase afogando a 20 centímetros do chão! Primeiro tentamos ensiná-lo como boiar, o problema é que não tem como ensinar, é natural. Um tempo depois ele conseguiu, ainda um pouco atrapalhado. Mas quando estávamos saindo ele começa a gritar por socorro dizendo que estava cego. De alguma maneira ele jogou um monte de água na boca e nos olhos. Eu e o Breno corremos até ele e o ajudamos a levantar, foi difícil segurar para não rir. Depois o levamos até a areia, coitado ele realmente não estava vendo nada.

O próximo passo foi encontrar a tal da lama. Não foi difícil, cavamos um pouco no raso e logo encontramos. Daí foi só passar pelo corpo, tostar um pouco no sol e tirar foto! Se quiser levar para casa eles vendem vários produtos feitos com essa lama.


Bom, o resto do dia foi legal, pagamos uma facada pra comer churrasco até que bom mas que está muito longe de ser churrasco de verdade. Depois foi relaxar um pouco na piscina discutindo sobre o islamismo, papos sempre muito interessantes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ramadan

E o Ramadan começou! O nono mês do calendário Islâmico, momento onde os primeiros versos do Qur'ran teriam sido revelados ao profeta Muhammad. Também conhecido como o mês do jejum onde eles, Muçulmanos, deixam de comer e beber do nascer ao pôr do sol em nome de Deus. E eu, bobo, vou tentar entrar pra brincadeira.

A ideia do jejum é ensiná-los principalmente sobre paciência, humildade e espiritualidade. É um tempo em que eles pedem ajuda à Deus e perdão pelos pecados. Também para que você possa se sentir como alguém que não tem o que comer e refletir um pouco sobre seus atos, o que pra mim é um pouco controverso. Muitos acabam comendo muito mais e também desperdiçando muita comida no desjejum, não todos eles lógico. 

O que não saía da minha cabeça era como ficar sem água. É verão por aqui, o que significa 45 graus e umidade do ar de 10%. Ou seja, você bebe água e já está com sede. Então vamos começar deixando de comer.

Eles costumam acordam antes da Fajr, o momento de rezar antes do nascer do sol, umas 4h da manhã, para comer a refeição chamada Sahoor. E ai o primeiro problema, como fazer isso? No primeiro dia não deu, a preguiça é maior! Acordei de manhã para trabalhar morrendo de fome e não aguentei, acabei comendo uma banana e bebendo um copo de água. Comecei bem né? Mas a partir dai consegui segurar as pontas. A vantagem é que nós trabalhamos menos, 8h por dia agora. Voltei pra casa e fui dormir pra esquecer da fome. Acordei com a mesquita aqui do lado, era a Maghrig, momento de rezar durante o pôr do sol seguido pela refeição chamada Iftar. Ai veio o segundo problema, cozinhar morrendo de fome, da vontade de comer tudo cru mesmo. Para eles é fácil, tem a mamãe em casa fazendo comida gostosa. Comi muito!

Ontem, já foi mais tranquilo. Não sei como mas acordei às 4h, ainda estava um pouco cheio porque tinha comido muito antes de dormir. Mesmo assim comi mais! Dizem que é cientificamente provado que isso faz bem pra saúde, ainda tenho minhas dúvidas. Passei fome e sede o dia todo até chegar o ponto que você acostuma, a jeito e focar em outra coisa e esquecer da fome. Mais tarde em casa o Robert e eu fizemos algo para comer, foi até legal, mas cada vez que como meu arroz fico com mais saudade do da minha mãe. Bom, e ai se foram meus dois primeiros dias de Ramadan ainda tenho outros 28 pela frente. Agora é ver até onde isso vai!

Ramadan kareem!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sol e mar em Aqaba



Outro lugar que visitei foi Aqaba, deixemos o frio de Amman para trás para pegar uma praia por lá. Aqaba fica no extremo sul do país, a cidade é banhada pelo Mar Vermelho muito conhecido pela vida marinha e por ser um dos melhores lugares para mergulho no mundo. É o pouco de água que existe na Jordânia e único acesso ao mar, o que torna a cidade estratégica para o país. Foi criada uma zona de livre comércio para facilitar as exportações e principalmente importações. A vantagem é que pude comprar meu laptop, que para variar, foi bem mais barato que se comprasse no Brasil.

Viajamos para lá na sexta para aproveitar o feriado da páscoa. Uma das vantagens de ser um cristão em um país muçulmano é ter folga nos dias santos das duas religiões. Chegamos a noite e aproveitamos para conhecer a cidade. Estava bem quente mesmo sendo inverno e com aquele mesmo ar de praia ai do Brasil, vários coqueiros, calçadão, até que tudo bem arrumado. Ai foi aproveitar o resto da noite e a cerveja barata.

No dia seguinte fomos para a praia, e ai acaba qualquer semelhança com o Brasil. A maioria das praias são privadas, as públicas geralmente são bem sujas, mas até que encontramos uma bem legal. Fomos para um lugar um pouco mais afastado porque não é legal tomar uma cervejinha na frente de muçulmanos. A praia é bem diferente do que estamos acostumados, quase impossível de se entrar no mar por causa das pedras e dos corais que ficam bem no raso mas que torna o lugar muito bonito. Se preferir ficar por ali a solução e alugar uns sapatos e também máscaras de mergulho. Depois de negociar muito conseguimos um passeio de barco bem mais interessante. O barco tinha o fundo de vidro e a água é muito clara então tínhamos uma visão bem legal. Também mergulhamos um pouco e posso dizer que vale muito a pena, é tudo muito bonito até você arrebentar a perna em um coral gigante!
O que mais me dava pena era ver algumas mulheres tentando entrar na água com aquele monte de roupa. Coitadas, ninguém merece isso, e o pior era que elas ficavam feliz com aquilo. Quem entende esses costumes? Mas o melhor foi ver alguns homens com umas roupas de banho muito engraçadas, bom pra rir um pouco. Mais tarde teve até futebol na praia. Os caras queriam saber quem era o brasileiro, uma piada, tinha muito tempo que não era um dos melhores em um jogo. Saudade da Beethoven e dos tempos de Nazaré.

A noite conseguimos entrar em um dos Resorts de graça, aqui na Jordânia você só precisa negociar. Estava rolando uma festinha na piscina com uma galerinha de Dubai. Whisky o tempo todo na piscina! Teve bom... Uma coisa que já percebi é que eles não gostam muito do pessoal do Golfo, dizem que os caras nadam em petróleo lá e vem pra Jordânia pra zuar.


No outro dia mais um pouco de praia e já era hora de ir embora, infelizmente tenho que trabalhar pra bancar minhas viagens...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ajloun Castle

Não imaginei que seria tão complicado manter esse blog atualizado! Meses de muitos acontecimentos se passaram e por falta de tempo não consegui postar mais. Só agora estou me acostumando com o ritmo e finalmente vou poder escrever mais um pouco.

Muita coisa aconteceu nesses quase cinco meses por aqui, já é quase hora de ir embora! A experiência tem sido muito boa, conheci várias pessoas de vários lugares do mundo, passei por vários apertos, até tenho um árabe bem básico. Viajar é muito bom, quem puder não pode perder a chance, tem horas que da vontade de ficar mais. O problema é que depois que começamos a viajar não dá pra parar mais!

Bom, então é hora de contar um pouco sobre as viagens que fiz já por aqui e aproveitar pra falar um pouco mais sobre a Jordânia. Ela já foi dominada por muitos povos, desde o Reino de Petra, Persas, Romanos, Cruzados e por ai vai. E com eles vieram diferentes culturas e costumes. O país tem muita história e seis meses não vão ser suficientes para conhecer tudo.

Meu primeiro passeio foi para o Castelo de Ajloun. Foi um primeiro fim de semana muito diferente do que esperava! Conheci a Huda, hoje uma grande amiga. Apaixonada pelo Brasil, chegou me cumprimentando em português, pareceu que eu estava no lugar errado! No carro várias bandeiras do Brasil e o que mais me surpreendeu, música! Tinha de tudo, de sertanejo a MPB, foi muito bom ouvir isso no caminho, estava me sentindo em casa.




Ajloun é uma cidadezinha pequena e bem simples, mais parecido com a Jordânia que imaginava. O castelo foi construído em 1184 DC e ajudou a proteger o país durante as cruzadas dominando uma grande área. A vista é muito bonita, com um pouco mais verde que o normal mas ainda diferente das nossa paisagens. Estava começando a me acostumar com a falta de verde!




Depois de visitar o castelo e apreciar um pouco a vista, coisa que mais estou fazendo aqui, fizemos um picnic por lá ao som de música brasileira, pois é, a Huda também toca violão e canta em português, dei uma "ajuda" com minha voz maravilhosa, não parecia estar fora do Brasil. Na volta fizemos uma parada pra almoçar, vou sentir falta de humus e pão sírio. Foi um ótimo começo!



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Jordanianos

Depois de semanas conturbadas e muita falta de tempo estou de volta com mais algumas historias pra contar, mas antes de mais nada, preciso falar um pouco sobre os jordanianos.

Nos sempre ouvimos dizer que o brasileiro e um povo muito hospitaleiro e que recebe muito bem qualquer estrangeiro. Nao tenho duvida disso, mas depois de um pouco mais de um mes por aqui posso dizer com certeza que nao somos tao bons nesse quesito quanto os jordanianos. Nesse tempo percebi que estou vivendo entre grandes pessoas, pessoas empenhadas em nos oferecer uma otima experiencia em seu pais.

Fui e ainda sou tratado como um hospede aqui. Seja pelos meus amigos ou ate mesmo pelo taxista que nao tem a menor ideia do que eu estou falando. Todos estao sempre prontos para ajudar da melhor forma. Nas lojas ou nos restaurantes, quando percebem que sou estrangeiro mudam totalmente o tratamento. Tentam  conversar mesmo nao falando ingles e ficam felizes quando arrisco um pouco de arabe. Welcome to Jordan, com certeza foi o que eu mais ouvi nesses dias!



Eles nao conhecem muito o Brasil mas sempre querem ouvir um pouco mais sobre nosso pais. Estao sempre prontos para visitar algum lugar que ainda nao conheco ou sempre convidando para algum concerto ou um cafe, algumas vezes ate mesmo para tomar uma cerveja. E uma coisa que nunca pode faltar e comida! Me enganei ao pensar que iria emagrecer aqui. No final das contas, fazem de tudo para que eu me sinta em casa, se preocupando com meus problemas como se fossem seus. Quem ai diria pra um estrangeiro que acabou de conhecer que sempre que precisar e so ligar e em 5min voce vai estar la para ajudar e realmente fazer isso? Ou largaria o trabalho pra andar 15min para resolver problemas com energia eletrica de uma pessoa que voce nunca viu antes? Duas situacoes que aconteceram comigo.

Nao tem como falar de todos meus amigos jordanianos aqui, mas com certeza dois deles merecem atencao especial. Anas, o melhor buddy (pra quem nao sabe, todo intercambista tem um buddy) que poderia ter. Como ele mesmo diz, e um bad Muslim. Acredita que esta numa epoca em que precisa aproveitar um pouco mais a vida, mas que um dia vai se tornar um bom moco. Tornou um grande amigo logo que conheci! Sempre preocupado, fazendo de tudo para ajudar mesmo quando minha ligacao o acorda. Foi fundamental em varias negociacoes em arabe e tambem na compra das primeiras cervejas! Ja o Orwa comecou a trabalhar no mesmo dia em que eu, e posso dizer que nao teria melhor companhia nos treinamentos. Agora, como ele costuma dizer, estou por conta propria, finalmente me graduei em sua faculdade. No primeiro mes nao adiantava fugir, fazia tudo por mim, alem da carona todo dia tinha comida da mae garantida no lunch break. O unico problema dos dois: nao param de fumar como todo bom jordaniano.

Passei por situacoes dificeis mas tambem otimos momentos. Mas posso dizer que foi muito bom sempre poder contar com um jordaniano. Estou fazendo grandes amizades por aqui, espero que o tempo nao passe tao rapido como esta passando.


sábado, 27 de março de 2010

Amman so far...

Qual a primeira coisa que nos vem a cabeca quando pensamos na Jordania? Guerra? Vilarejos no meio do deserto? Camelos nas ruas? Mulheres de burca? Calor? Bom, essas foram algumas das coisas que passaram pela minha cabeca antes de chegar aqui! Mas nao foi preciso muito tempo para que essas ideias comecassem a mudar.

A primeira coisa que nao esperava era o frio! Nao acreditava que podia fazer tanto frio por aqui. Me disseram que se eu chegasse duas ou tres semanas antes teria pego neve! Pois e... tambem neva no deserto! Ainda bem que escapei dessa, mas infelizmente, nao do vento! Esse e o maior problema aqui, venta muito! E se voce entra em casa pra escapar dele esperando algo mais quente, voce se surpreende, por algum motivo dentre de casa e ainda mais frio. Mas vamos pensar positivo, pelo menos pude presenciar minha primeira tempestade de areia, nao foi muito forte como disseram, mas deixou o ceu numa cor legal!

Ama e uma cidade muito grande, estou sofrendo para andar por aqui! Estou morando em West Amman a parte nova e moderna da cidade. Nas primeiras voltas deu pra ver uma cidade muito diferente do que imaginava. E uma regiao muito bonita, apesar de faltar um pouco de verde e tudo ser da mesma cor, tem muitos predios, shoppings e lojas (ate uma apple store), incontaveis mesquitas, uma ou duas igrejas e grandes avenidas. As poucas casas estao em bairros mais ricos da cidade e os predios residenciais nao chegam a ter mais que cinco andares! Mas tambem existem hoteis enormes e dois arranha-ceus sendo construido. O transito e uma loucura! Chove carro nas ruas e eles conseguem respeitar menos as leis do que nos no Brasil! Pelo menos nao tem problema pra encontrar uma vaga, param em qualquer lugar mesmo. Mas pra sair dela... Aqui as mulheres dirigem como homens e os homens como monstros como eles dizem! Ja East Amman e a parte mais antiga da cidade, que ainda nao conheci! La esta a maior parte da historia! Um pouco deixado por inumeros povos que ja habitaram a regiao.


Outra surpresa, nada de burcas nas ruas! Sao pouquissimas as mulheres que usam a tal burca. As que usam, sao geralmente pessoas mais velhas ou do interior. Na verdade nao existe nada no alcorao que diga que elas devem usa-la, devem "apenas" cobrir o corpo todo, deixando maos e o rosto a mostra. E o que metade delas fazem, usam apenas o hijab, um pano que cobre a cabeca, mas se vestem normalmente! Ja a outra metade nao liga nem um pouco para isso. Nao existe essa coisa de que todos sao obrigados a seguir as leis islamicas. Na verdade, muitos decidem nao segui-las. Sao poucas as pessoas que param tudo pra rezar as 5 vezes ao dia, ou que nao tomam bebidas alcoolicas, tenho uma amiga que nunca entrou em uma mesquita! E uma sociedade bem diferente do que imagina.

E a guerra parece que nao chegou por aqui! Voce deixaria seu carro aberto na rua? Aqui, se voce quiser, nao tem problema. Com certeza Ama e muito mais segura que BH, Sao Paulo ou Rio. Posso andar a noite na rua como se estivesse em Itajuba sem me preocupar. Nunca ouvi falar a palavra assalto ou ladrao. Talvez por que todos eles estao sem as maos. Mas e bem interessante ouvir sobre o conflito entre israelenses e palestinos da boca dos arabes. Agora tenho mais certeza que essa guerra nao vai ter fim! A nao ser que alguem de fora exploda tudo. So espero que eu consiga visitar Jerusalem antes.

Acho que em seis meses estarei apaixonado pelo pais. Principalmente por causa do povo. Nos costumamos ouvir sobre a hospitalidade brasileira, tenho certeza que somos um povo muito hospitaleiro. Mas nao tem como competir com os jordanianos. Todos te tratam como convidado, fazem tudo por voce, welcome to Jordan e o que eu mais escuto por aqui! Falando ou nao falando ingles tentam sempre te agradar e conversar, e quando descobrem que sou do Brasil ficam loucos. Eles adoram futebol e todos torcem pro Brasil, dizem que quando Brasil e Argentina vao jogar toda a cidade para. Com certeza falar sobre esse povo merece um post a parte.

segunda-feira, 15 de março de 2010

E a aventura comeca!

Deixei pra tras familia e amigos em busca de uma aventura um pouco longe de casa. Fui parar na Jordania, um pais que para nos parece ser algo de outro mundo em uma regiao com uma reputacao nao muito boa (fui bonzinho ne?), mas que promete otimas experiencias. Vou usar esse blog para contar um pouco da minha vida por esses lados.

Logo que cheguei no aeroporto (que parece mais uma rodoviaria) a aventura comecou! Estava louco pra encontrar o primeiro arabe e ja soltar um Salam Aleekom, mas nao foi tao simples assim! Depois de um tempo pra entender os sinais e o ingles dos funcionarios encontrei o lugar para trocar meu dinheiro. Por um motivo ainda desconhecido nao aceitaram minhas notas, mas consegui o suficiente para retirar meu visto. Otimo, ja comecou a dar errado, foi o que eu pensei!

Depois de alguns minutos para retirar o visto era hora de me preocupar com a bagagem. Foi um alivio ver minha mala de longe, faziam 23h que eu nao a via! Mas antes que pudesse chegar ate la fui interrompido por outro funcionario me perguntando justamente sobre ela. Cai na bobeira de apontar, apartir dai ele nao a largou mais. Me seguiu ate a saida ate que comecou a dizer, tiptiptiptiptip... (what the hell is that?). Depois de alguns segundo processando entendi que era gorjeta e em um ato de idiotice dei 10JD para ele "apenas" R$30. Dizem que eles conseguem 500JD por dia! Fiquei menos triste em saber que nao sou o unico turista bobo por aqui. Fica ai a primeira dica, quando virem visitar Amman, nao deixem ninguem pegar suas malas.

Como combinado, o pessoal da AIESEC estavam me esperando na saida com aquela plaquinha de costume. Apartir dai tudo ficou mais tranquilo, ja tinha certeza que nao iria ficar perdido por ali. Conheci as primeiras pessoas, que depois de alguns minutos conversando ja pareciam bonas amigos. Pude falar minhas primeira palavras em portugues depois de um bom tempo com a Claudia, uma portuguesa que esta por aqui a alguns meses. Conheci a primeira pessoa que usava o tal hijab, Sabica uma menina do Bahren, Sophie uma americana que esta aqui a seis meses e Anas, meu buddy, que de cara me fez perceber que seria um grande amigo. Estava frio! Nunca iria imaginar isso.


Logo em seguida descobri que esse povo aqui adora comer! Me levaram em um restaurante tradicional no centro, chamado Hashim. E um lugar bem simples que fica em uma parte mais antiga da cidade. La encontramos mais pessoas da AIESEC, agora eram cinco jordanianos e cinco estrangeiros.

Estava preparado pra comer algo muito ruim! Ai veio a primeira surpresa, a comida era boa! Pao (pao sirio para nos) com homus (tipo um creme), falafel (parecido com um salgadinho frito) e cha. Depois de comer mais do que aguentava descobri que ainda tinha a sobremesa, comemos um doce muito bom que eu nao tenho a menor ideia do nome! Ate ali estava lutando pra aprender os nomes de todos, cada um mais dificil que o outro, alem de tentar entender o que estava comendo! No final nao lembrava mais nada. Bom... emagrecer eu nao vou!


Era hora de ir para casa, estava muito cansado! Fiquei sabendo que iria ficar na casa de outros intercambistas como eu por dois dias ate que encontrasse uma casa para ficar definitivamente. Iria morar com um russo que estava por vir. Chegando na casa mais nomes! Entre eles Murray, um ingles com quem eu dividiria o quarto nesses primeiros dias. Dentro da casa, pessimas noticias! As casas aqui sao mais frias que fora delas e que seria dificil tomar banho nesse frio num chuveirinho merreca!

Bom, ai era hora de dormir e me preparar para o que estava por vir!